Hacker investigado na operação Compliance Zero é preso em Dubai e será deportado ao Brasil
Suspeito é apontado pela PF como integrante do grupo “Os Meninos”, acusado de atuar em ações cibernéticas ligadas ao empresário Daniel Vorcaro Um dos alvos da mais recente fase da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, foi preso nesta sexta-feira em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Victor Lima Sedlmaier, alvo de mandado de prisão expedido pelo STF, deverá desembarcar no Brasil pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, às 17h45.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Um dos alvos da mais recente fase da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, foi preso nesta sexta-feira em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Victor Lima Sedlmaier, alvo de mandado de prisão expedido pelo STF, deverá desembarcar no Brasil pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, às 17h45.
A investigação apura a atuação de Victor e de outros dois hackers David Henrique Alves e Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos em supostas operações cibernéticas ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Segundo a Polícia Federal, o grupo conhecido como “Os Meninos” era utilizado para retirar do ar reportagens consideradas negativas ao grupo Master e também para publicar conteúdos de interesse de Vorcaro. Os investigadores afirmam que os hackers recebiam cerca de R$ 35 mil mensais para atuar como “braço tecnológico” do então banqueiro.
As apurações começaram após a descoberta de um grupo de WhatsApp chamado “Os Meninos”, onde eram discutidas ações em benefício do empresário. Conforme a PF, os pagamentos ao grupo eram intermediados por Felipe Mourão, conhecido como “Sicário”, que morreu após tirar a própria vida na carceragem da Polícia Federal durante uma das fases anteriores da operação.
A última etapa da Compliance Zero, deflagrada na última quinta-feira, também resultou na prisão do empresário Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. A fase é tratada como desdobramento da terceira etapa da investigação, que havia levado à prisão integrantes do grupo chamado “A Turma”.
De acordo com mensagens obtidas pela PF, mesmo após as fases anteriores da operação, o esquema teria continuado em funcionamento a pedido do pai do banqueiro. Uma delegada da Polícia Federal, afastada do cargo, e um agente da corporação também foram alvos da nova ofensiva policial.
Em nota, a Polícia Federal informou que acionou mecanismos de cooperação internacional após a expedição do mandado de prisão pelo Supremo Tribunal Federal. “A partir da atuação conjunta, foi determinada a não admissão do investigado no país e sua imediata deportação ao Brasil”, informou a corporação.
O que a investigação aponta sobre Victor Sedlmaier
Segundo decisão do ministro André Mendonça, Victor integrava o chamado “núcleo tecnológico” ligado a Vorcaro, atuando ao lado de Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos e sob coordenação de David Henrique Alves.
A PF afirma que, após uma das fases da operação, Victor teria ido até a residência de David Henrique Alves, em Lagoa Santa (MG), para retirar materiais que poderiam comprometer o grupo. Conforme o documento judicial, ele retornou ao local utilizando um caminhão de mudança e foi encontrado com celulares, equipamentos de informática e dinheiro em espécie.
As investigações também apontam que Victor utilizaria contas de empresas das quais é sócio minoritário, ligadas ao ramo farmacêutico, para receber pagamentos relacionados às atividades do grupo.
Em depoimento à Polícia Federal, Victor afirmou que teria solicitado apenas serviços pontuais a Rodrigo e David, como pagamento de boletos e compra de domínios na internet. No entanto, segundo a investigação, há indícios de que sua atuação incluía a criação de estruturas digitais e mecanismos utilizados para ações telemáticas clandestinas.

